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A PRÁTICA DA EQUOTERAPIA COMO TRATAMENTO PARA PESSOAS COM ANSIEDADE

Autora: Motti, Glauce Sandim1
Co-autora: Freire, Heloisa Bruna Grubits2

ANSIEDADE

A ansiedade é um sinal de alerta que permite ao indivíduo ficar atento a um perigo iminente, e tomar as medidas necessárias para lidar com as ameaças (Nunes Filho; Bueno; Nardi, 1996). Ela também é explicada como um estado emocional com componentes psicológicos e fisiológicos, o qual faz parte do espectro normal das experiências humanas, propulsoras do desempenho (Andrade; Gorenstein, 1998). Para Cozzani et al. (1997), a ansiedade é a resposta emocional determinada por um acontecimento que pode ser agradável, frustrante, ameaçador, entristecedor e cuja realização ou resultado depende não apenas da própria pessoa, mas também dos outros. Ela inclui manifestações somáticas e fisiológicas, sendo fruto de uma patologia decorrente da própria humanidade. Ela acompanha o crescimento normal, durante mudanças, experiências novas e inéditas, encontro da própria identidade e sentido da vida. A ansiedade patológica, em comparação, é uma resposta inadequada a determinado estímulo em virtude de sua intensidade ou duração (Kaplan, 2003). Andrade e Gorenstein (1998) consideram que a ansiedade passa a ser patológica quando é desproporcional à situação que a desencadeia, ou quando não existe um objeto específico ao qual se direciona. Para Camargo (2004), o comprometimento da qualidade de vida e das funções laborais, concomitante à freqüência, intensidade e duração das manifestações, são indicativos para diferenciar a angústia patológica da normal. Os sintomas psicológicos e cognitivos da ansiedade têm dois componentes: a consciência de sensações fisiológicas como palpitação e sudorese, e a consciência de estar nervoso ou amedrontado. Além dos efeitos motores e viscerais da ansiedade, os efeitos sobre o pensamento, a percepção e o aprendizado não  devem  ser ignorados. A ansiedade tende a produzir confusão e distorções perceptivas, não apenas de tempo e espaço, mas de pessoas e significados dos eventos, e essas distorções podem vir a interferir no aprendizado, baixar a concentração, reduzir a memória e prejudicar a capacidade de relacionar fatos (Kaplan, 2003), De acordo com a CID-10, o diagnóstico do TAG (F41.1) deve ser feito a partir dos seguintes critérios: o paciente deve apresentar sintomas primários de ansiedade na maioria dos dias, pelo menos em várias semanas e, usualmente, em vários meses, envolvendo elementos de (Organização Mundial de Saúde, 1993): a) Apreensão (preocupação sobre
1 (glauce@ucdb.br) - Programa de Equoterapia da Universidade Católica Dom Bosco-PROEQUO/UCDB-MS
2 (freirejb@terra.com.br) - Programa de Equoterapia da Universidade Católica Dom Bosco-PROEQUO/UCDB-MS
desgraças futuras, sentir-se "no limite", dificuldade de concentração, entre outros);
b) Tensão motora (movimentação inquieta, cefaléias tensionais, tremores, incapacidade de relaxar);
c) Hiperatividade autonômica (sensação de cabeça leve, sudorese, taquicardia ou taquipnéia, desconforto epigástrico, tonturas, boca seca etc.).
De acordo com Kaplan (2003), a prevalência anual do TAG varia de 3% a 8% e provavelmente é o transtorno mais comum encontrado com um transtorno mental coexistente. Os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns tanto em crianças, quanto em adultos, com prevalência estimada durante o período de vida de 9% 15% respectivamente (Castilho et al., 2000).

O CONVÍVIO COM OS ANIMAIS

O princípio desse método leva em conta a habilidade que o animal tem de suscitar emoções comunicativas no ser humano. Nessa habilidade ocorre uma concreta ligaçãoempática entre a pessoa e o animal. A relação pessoa-animal, não verbal, é isenta de mensagens contraditórias, não apresenta confrontos e não é competitiva, oferecendo uma vivência relaxante e conciliadora, diferentemente das relações entre seres humanos, as quaisimpõem confronto e, mesmo quando é familiar e amigável, geram algum nível de estresse (Chieppa, 2002).
O animal é o agente facilitador para a terapia, ele pode ser considerado a ponte entreo tratamento proposto e o paciente. E é nessa ponte que se dá o encontro entre os profissionais,colaboradores e pessoas. O animal é o instrumento mais valioso entre o mundo isolado da pessoa e o meio social em que ela vive, é ele que dá ressonância aos sentimentos e abre portas. É aquela parte de todos nós que ainda não está contaminada por conceitos, imposições, é espontânea e de algum modo transforma sentimentos (Dotti, 2005, p. 34).

EQUOTERAPIA

A equoterapia é um método terapêutico utilizado com ênfase na reabilitação e que propicia uma forma diferenciada devido ao uso do cavalo, porém não deixa de enfocar a diversificação das técnicas que podem ser conciliadas a sua prática. A terapia com cavalos objetiva estimular a auto-estima, a autoconfiança, desenvolver a orientação espacial, o equilíbrio, a lateralidade, a comunicação, além de proporcionar ganhos físicos, favorecer a sensibilidade, a percepção do esquema corporal, a diminuição da ansiedade, fobias de modogeral, entre outros (Freire, 1999).
Herzog (1989, p. 2) tem como hipótese que "[...] o domínio do corpo físico, necessário em equitação, conduz a um melhor domínio dos afetos, ligados à imagem do corpo do sujeito", e manter o equilíbrio significa reconhecer este como uma atitude corporal, reajustar,coordenar os próprios movimentos e dissociar os gestos dos braços e das pernas melhorando a compreensão de seu esquema corporal. O autor reporta-se à teoria de Winnicott (1975), apontando o cavalo como objeto intermediário que funciona entre o mundo intrapsíquico do paciente, carregado de fantasmas, de desejos e de angústias, e o mundo exterior, possibilitando a vivência e o espaço lúdico para o paciente. O cavalo funciona como uma espécie de escudo, ou seja, é através dele que o paciente irá permitir progressivamente o estabelecimento de uma relação com o outro, melhor suportada e melhor investida, e assim facilitará suas relações "afetivas".

OBJETIVO GERAL

Avaliar os possíveis benefícios da prática equoterápica enquanto método terapêutico no tratamento de pessoas com o diagnóstico de transtorno de ansiedade generalizada, segundo a classificação da CID-10.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Identificar a sintomatologia dos participantes antes e após a intervenção equoterápica, segundo os critérios da CID-10.
Observar, durante os atendimentos, os comportamentos mais característicos dosparticipantes com diagnóstico de ansiedade.
Identificar as possíveis alterações no equilíbrio e postura dos participantes durante as sessões.

A PESQUISA

A pesquisa foi realizada no Instituto São Vicente onde está localizada a Fazenda Escola da Universidade Católica Dom Bosco, popularmente conhecida no município de Campo Grande como "Lagoa da Cruz", especificamente no PROEQUO-UCDB.

CASUÍSTICA E MÉTODO

Trata-se de um estudo de caso de duas pessoas do sexo feminino, com avaliações pré e pós-intervenção, no qual a variável independente introduzida foi a equoterapia e as variáveis dependentes, os sintomas de ansiedade, segundo a classificação da CID-10.

PARTICIPANTES

Participaram deste estudo duas pessoas do sexo feminino, com 27 e 40 anos de idade, diagnosticadas com TAG, segundo a classificação da CID-10, que freqüentam o ambulatório da Sociedade Beneficente Santa Casa de Campo Grande-MS, e estão sob acompanhamento médico há mais de um ano e fazendo uso de medicação para o controle dos sintomas de ansiedade.

RECURSOS MATERIAIS

Para realização dos atendimentos, foram utilizados cavalos devidamente treinados para prática equoterápica, equipamento para montaria, e materiais terapêuticos, além de materiais de escritório para registro das sessões. As sessões foram realizadas no picadeiro gramado, que conta uma boa arborização, e também no bosque que margeia um lago favorecendo o contato com a natureza.

INSTRUMENTOS PARA COLETA DE DADOS

Foram utilizados ficha de anamnese, roteiro para entrevista de avaliação dos sintomas de ansiedade, e relato da psiquiatra pós-intervenção.
A ficha de anamnese utilizada compreende os seguintes dados: identificação; antecedentes; (relacionados a saúde, aspectos emocionais e sociais); história atual (médica responsável, percepção dos sintomas e vida social) e rotina da vida diária.
O roteiro para entrevista de avaliação de sintomas de ansiedade (REASA), elaboradopara este estudo, baseia-se nos critérios da CID-10 e conta com seis questões, divididas conforme os critérios citados a seguir: A – Apreensão (A:1, A:2, A:5): questões relacionadas à preocupação sobre desgraças futuras, a sentir-se "no limite", dificuldade de concentração, entre outros; B – Tensão Motora (B:3, B:6): questões relacionadas a movimentação inquieta, cefaléias tensionais, tremores, incapacidade de relaxar; C – Hiperatividade Autonômica (C:4): questões relacionadas à sensação de cabeça leve, sudorese, taquicardia ou taquipnéia, desconforto epigástrico, tonturas, boca seca, etc. As questões foram distribuídas de forma aleatória e não agrupadas, com a finalidade de garantir a fidedignidade das respostas. O roteiro de entrevista foi elaborado para aplicação antes e depois do período total de atendimentos, no intuito de permitir a comparação entre as respostas.
Ao final das sessões de equoterapia, solicitou-se à Psiquiatra responsável pelo atendimento clínico das participantes um breve relato no qual deveriam ser apontadas quais modificações foram percebidas no comportamento das pacientes e que poderiam estar relacionadas à equoterapia. Ressalta-se que a médica não presenciou nenhuma das sessões de equoterapia e, durante o período da pesquisa, a autora deste estudo não teve contato com a mesma.

PROCEDIMENTOS

Os atendimentos foram realizados pela terapeuta ocupacional, um fisioterapeuta e, como apoio, uma psicóloga durante as sessões. No decorrer dos atendimentos equoterápicos,utilizou-se a técnica de observação direta, realizada pela autora deste trabalho e integrante da equipe interdisciplinar do PROEQUO-UCDB. Também, com intuito de tornar as sessões mais dinâmicas, foram propostos exercícios de relaxamento e atividades utilizando recursos terapêuticos: No total foram realizadas 14 sessões com "A" e 11 sessões com "B" no período de junho a novembro de 2006. "B" realizou menos sessões porque iniciou depois de "A". Tais sessões aconteceram uma vez por semana, com duração de trinta minutos cada uma. Ao final desse período, realizou-se a segunda entrevista com as participantes e solicitou-se que a médica responsável relatasse as possíveis alterações no comportamento das participantes relacionadas à Equoterapia.

ANÁLISE DOS DADOS

A Anamnese das pacientes foi utilizada para nortear as avaliações sobre os atendimentos equoterápicos e as entrevistas foram transcritas na íntegra para posterior comparação pré e pós- intervenção, permitindo assim verificarem-se as possíveis alterações após a intervenção equoterápica. O relato pós-intervenção feito pela médica que acompanha as participantes foi utilizado para subsidiar as observações da pesquisadora em relação às alterações ocorridas durante e após o término dos atendimentos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A seguir serão apresentados e discutidos os dados e informações referentes à anamnese das participantes, o resultado das entrevistas pré e pós-intervenção, os registros efetuados após cada atendimento e o relato da médica responsável.

ANAMNESE

As duas participantes deste estudo são do sexo feminino, Ax tem 27 anos, e Bx, 40, e foram diagnosticadas com TAG há seis e cinco anos, respectivamente.
Ax é casada, mãe de um filho, do lar, tem nível médio de escolaridade e é dependente financeiramente do esposo; Bx é divorciada, tem nível superior completo, é funcionária pública e independente financeiramente. Ambas as participantes estão em idade produtiva. Quanto à medicação, Ax faz uso de Clorimipamina 20 mg e Paroxetina 8 mg; e Bx, do medicamento Sertralina 75 mg uma vez ao dia e, dependendo de seu estado, ½ comprimido de Rivotril, de acordo com a orientação médica.
Ao descrever como se sente e as conseqüências da ansiedade em seu dia-a-dia, Ax relata que hoje consegue lidar melhor com os sintomas, pois, quando eles aparecem, ela se sente mais preparada, apesar de complementar que, às vezes, fica preocupada e até  chora.
A participante Bx relata que é de poucos amigos e não gosta de ambientes com muitas pessoas, tem mania de tirar os aparelhos da tomada e fechar a porta do banheiro e, segundo ela, esses comportamentos interferem em sua vida pessoal, profissional e social. Quanto aos sintomas de ansiedade, sente-se insegura, pois não sabe quando eles podem surgir.
Quanto ao seu relacionamento com sua família, Bx sente-se "dentro do limite".
Segundo a 10ª Classificação dos Transtornos Mentais da Organização Mundial de Saúde (1993), apresentar sintomas primários de ansiedade envolve elementos de apreensão que se caracterizam por preocupação sobre desgraças futuras, sentir-se "no limite", dificuldade de concentração, entre outros.

RESULTADOS OBTIDOS POR MEIO DAS RESPOSTAS DO ROTEIRO PARA ENTREVISTA DE AVALIAÇÃO DOS SINTOMAS DE ANSIEDADE

O texto a seguir apresenta a análise dos resultados obtidos através das respostas da avaliação dos sintomas de ansiedade, comparados à prática equoterápica e acompanharem na CID-10.

Apreensão

Em relação à família, a participante Ax relata que, quando fazia suas visitas ao hospital para tratamento, tinha medo de doenças e não deixava o filho e o marido acompanhá-la: "Eu não queria ficar ali esperando por muito tempo; logo me dava um desespero e já começava a passar a mão no pescoço e no peito".
Segundo a CID-10, o paciente com ansiedade generalizada freqüentemente expressa o medo de que ele próprio ou um parente adoeça ou sofra um acidente, o que pode aparecer junto com uma variedade de outras preocupações e pressentimentos.
Já a participante Bx relatou que, desde criança, tem medo da morte tanto em relação a si quanto em relação à família, e seus sintomas de ansiedade diante dessa preocupação persistiam até três dias.
Para Graeff e Brandão (1993), fatores ambientais durante a fase do desenvolvimento do sistema nervoso central podem influenciar a um determinado estado de ansiedade em maior ou menor grau da percepção da ameaça que poderá vir a se manifestar, tanto por vivências subjetivas, como preocupação e disforia, como também por alterações somáticas, sobretudo tensão muscular aumentada, e neurovegetativas – sudorese, tremores, taquicardia.
A percepção das mudanças somáticas, novamente influenciada por fatores cognitivos, realimenta a percepção de ameaça.
Ax afirma que, após a equoterapia, não tem preocupações em relação à família e, em relação a si mesma, tem as mesmas preocupações e ainda se preocupa com doença: "Quando eu sinto uma dor de estômago, logo acho que vou ter uma doença. Há muito tempo".
Bx, após as sessões de Equoterapia, relata que, em relação a família, melhorou: "Não sou igual como era, antigamente eu era mais preocupada, e, em relação a mim mesma, não tenho mais medo da morte".
Para Dotti (2005), os animais podem mostrar um outro lado, o de encontrar novas formas de viver melhor ou, pelo menos, de chegar a esse objetivo. Para o autor, através do auxílio dos animais é possível dilapidar emoções que não fazem bem à pessoa. Segundo Freire (1999), dentre os vários benefícios do tratamento equoterápico, está a diminuição de fobias de modo geral.
Em suas atividades diárias ou profissionais, tanto Ax quanto Bx apresentam dificuldade de concentração, e Ax acrescenta que tem "falta de atenção", e Bx, um pouco de "esquecimento".
De acordo com a Classificação do Manual de Diagnóstico Estatísticos dos Transtornos Mentais, eixo (300.2), a pessoa com TAG apresenta dificuldade em concentrar-se ou sensação de branco na mente; irritabilidade (Assocoação Americana de Psiquiatria, 1995).
A ansiedade é a resposta do indivíduo a um imenso vazio de existência e significado.
A vigilância cognitiva é evidenciada pela irritabilidade do paciente e facilidade com que se sobressalta (Kaplan, 2003).
Após as sessões de equoterapia, Ax relata que tem "esquecimento", e Bx não apresenta mais as dificuldades citadas na primeira entrevista.

Conforme Buchene e Savini (1996), a equoterapia proporciona melhora da atenção, concentração, memória, raciocínio lógico, e Garrigue (1999a) acrescenta a melhora do tempo de atenção.

Tensão motora

A participante Ax relatou sentir-se tensa e com dores musculares à noite e, quando vai se deitar, sente dor nos ombros. Já a participante Bx descreve sentir a sensação de "contração nos dentes (pressão)" e, quando está em crise, sente-se tensa e com dor no pescoço.
Após os atendimentos, Ax relata que não tem mais os sintomas de dor e tensão, e Bx apontou uma melhora, pois só tem apresentado os sintomas que relatou no período da noite.
Segundo Lallery (1988), essa melhora pode estar relacionada aos estímulos físicos proporcionados pela equitação, pois a adaptação ao ritmo lento do passo do cavalo é comparável a um embalo e este permite diminuir o nível de angústia. Garrigue (1999c), ainda aponta que a equoterapia auxilia na superação da ansiedade, proporcionando maior segurança devido à disciplina adquirida em conseqüência da montaria, memorização do conhecimento adquirido, relaxamento e descontração.
Conforme a Associação Americana de Psiquiatria (1995), na classificação do Manual
de Diagnóstico Estatísticos dos Transtornos Mentais, eixo (300.2), o TAG pode causar perturbação do sono, o que é evidenciado nas respostas das participantes em que Ax sente medo de ficar sozinha, e Bx, às vezes, tem sono interrompido e acorda com fadiga quando dorme muito. Ambas relatam que essas situações ocorrem no período da noite. Após as sessões, Ax e Bx são enfáticas ao dizer que essas sensações não ocorrem mais.
Lermontov (2004) acrescenta que, na equoterapia, a vitalidade normalmente é aumentada pelo relaxamento que acontece em decorrência da fadiga muscular oriunda da sessão, porém um pequeno intervalo restabelece o físico e os benefícios relacionados à vitalidade se mantêm.

Hiperatividade autonômicas

O TAG é definido como uma preocupação excessiva e abrangente, acompanhada por uma variedade de sintomas somáticos, que causa comprometimento significativo no funcionamento social ou ocupacional ou acentuado sofrimento (Associação Americana de Psiquiatria, 1995).
Durante as atividades diárias e profissionais, Ax apresenta sudorese e boca seca, e ambas as participantes já apresentaram episódios de taquicardia, e Bx acrescenta que já teve episódios de falta de ar, dor no pescoço e sudorese.
A ansiedade, ao gerar preocupação ou sintomas físicos, causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo (Associação Americana de Psiquiatria, 1995).
Graeff e Brandão (1993) relatam que, dentre os sintomas de origem somática da ansiedade, estão a dor de cabeça e dor lombar, causadas pelo aumento de tensão muscular,palpitação devida aos movimentos mais vigorosos e rápidos do coração, sudorese emocional, principalmente nas mãos, sensação de bolo na garganta devida à maior tensão nos músculos do pescoço, náusea e vazio no estômago, além da falta de ar e tontura.
Após a intervenção equoterápica, as duas participantes relatam que não apresentam mais os sintomas de hiperatividade autonômicas. Essa melhora corrobora a hipótese de Herzog (1989, p. 2) em que "[...] o domínio do corpo físico, necessário em equitação, conduz a um melhor domínio dos afetos, ligados à imagem do corpo do sujeito".
A atividade com o auxilio de animais (AAA) proporciona oportunidade de melhorar a qualidade de vida através de motivação, educação, recreação e/ou benefícios terapêuticos, e pode ser utilizada em áreas relacionadas ao desenvolvimento psicomotor e sensorial, no tratamento de distúrbios físicos, mentais e emocionais, em programas destinados a melhorar a capacidade de socialização ou na recuperação da auto-estima (SAN JOAQUÍN, 2002).

RELATO DO PSIQUIATRA PÓS INTERVENÇÃO

Consultada para manifestar suas considerações sobre as pacientes, a psiquiatra assim

se manifestou: "[...] apresentou grande melhora com as sessões de equoterapia. Atualmente, em processo de retirada dos medicamentos". (participante Ax)

" [...] apresentou melhora parcial depois da equoterapia, mas persiste com tendência ao isolamento social e afetivo". (participante Bx)

O relato da psiquiatra vem ao encontro dos dados de melhora dos sintomas de ansiedade colhidos através do REASA, que enfoca a percepção das participantes e as observações da ficha diária do PROEQUO-UCDB, feitas pela autora deste estudo.

CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho constatou que a equoterapia é um recurso terapêutico inovador e complementar no tratamento da ansiedade. No decorrer das sessões, percebeu-se que as participantes com TAG podem e devem realizar atendimentos práticos com o auxílio de atividades terapêuticas, favorecendo a dinâmica e a praticidade das sessões, objetivando uma melhor qualidade de vida em relação aos sintomas da ansiedade. Esses sintomas devem ser respeitados e interpretados pelo terapeuta e o praticante de forma clara. Caso apareçam no decorrer da sessão, deve-se identificar a intensidade desses sintomas para dar continuidade ao atendimento.
Para a autora deste trabalho, o fato de montar e vislumbrar o espaço do alto de um cavalo é encorajador e incentivador, ou seja, o cavalo aceita a decisão do cavaleiro que sente-se seguro e confiante. Essas sensações prazerosas conduzem à diminuição de temores e criam um canal de comunicação. A pesquisa também mostrou que as participantes perceberam a Equoterapia como um recurso valioso e prazeroso, as freqüências constantes nos atendimentos e as ausências das praticantes eram justificadas. Outros aspectos enfocados foram a apresentação, a aproximação e o contato com o cavalo na primeira sessão, o que favorece a confiança do conjunto (praticante, cavalo e equipe). No decorrer das sessões é de suma importância a observação direta e o diálogo com o praticante com assuntos positivos e sadios, valorizando a idade e o conhecimento deste. A partir da interação e do conhecimento entre o conjunto (pessoa/cavalo) dá-se início à independência do cavaleiro, e a aplicação das atividades terapêuticas durante a sessão facilitam o alcance dos objetivos do tratamento.
Constatou-se que a equoterapia influenciou de forma positiva as participantes deste estudo, aumentando a autoconfiança, segurança e diminuindo os sintomas do quadro ansioso. Sugere também que, em longo prazo, é possível também a diminuição dos medicamentos que controlam a sintomatologia da ansiedade. Portanto, apesar de não visar à generalização, este estudo de caso mostra que a Equoterapia é um recurso terapêutico válido para o tratamento da ansiedade generalizada e ainda sugere que, utilizado de forma intensiva, poderá proporcionar aos praticantes benefícios além do que se pôde constatar.

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